Sobre Prático e Natural

 

 

Nós

 

Sabe lá o que é crescer no meio de uma disputa entre mãe, tias, avós? Cada uma caprichando mais nos quitutes. Era sempre comida simples, comida de casa. Frango ensopado com batatas, leitão a pururuca, arroz de forno. E as compotas? laranja, cidra, figo... E pamonha, sopa de burerê. A gente aprendia a cozinhar pelo aroma, pelo som do milho sendo raspado para o curau, a batedeira, o liquidificador, a porta do forno, as conversas na cozinha, a troca de receitas. A comida aquecia o inverno, curava males do corpo, da alma, aplacava a ansiedade, trazia conforto e estímulo. Comida ajudava a emagrecer, fazia arribar. Comida é compartilhamento, celebração. Vida. Um dia veio a vontade de experimentar também. As medidas no tempero viriam com o tempo. Essas são pessoais, intransferíveis, assinaturas. As profissões foram várias, os caminhos, mas uma paixão sempre foi compartilhada. E um dia reabrimos os cadernos de receitas, agora com novo propósito (talvez o mesmo de sempre): alimentar vida. É prático. É natural.